Alice no país das “(des)maravilhas”

Alice no país das “(des)maravilhas”

Há muito tempo se pode observar o sincretismo artístico dentro de uma determinada obra. Seja livro, filme, teatro, a junção de várias linguagens só tende a enriquecer a obra híbrida que aparece.

É comum a utilização da intertextualidade, esse diálogo provocado pela assimilação que se percebe ao ler uma obra ou ver um filme e nos leva à procura da obra matriz quando, muitas vezes, descobrimos uma ou várias outras histórias que foram inseridas em outro contexto.

Com a expansão tecnológica, é possível observar que a linguagem cinematográfica embasa-se cada vez mais em histórias antigas, como os contos de fadas, e transforma-os em linguagens apocalípticas, revelando caçadores de bruxas, de vampiros e tantos outros personagens que passam por diversas aventuras, culminando sempre na derrota do mal (seguindo a linha de raciocínio das histórias antigas) ou produzindo uma sequência que leva a uma saga de filmes sempre esperados pelos jovens.

Assim aconteceu com a saga Crepúsculo. Em várias ocasiões, a autora citou O Morro dos Ventos Uivantes e, como conseqüência, aguçou a curiosidade dos jovens para sua leitura e as livrarias estão com uma nova edição do livro.

Também em Resident Evil (a saga dos zumbis), filme criado a partir dos jogos eletrônicos, há referências aos livros Alice no País das Maravilhas e Alice no País do Espelho. Uma delas é o próprio nome da protagonista (Projeto) Alice que, tal qual a Alice do livro, passa por diversos obstáculos até retornar à calmaria. Observa-se em Resident Evil 5 a sucessão de lutas travadas pela (Projeto) Alice em protótipos de cidades criadas em um mundo fantástico onde ela deve vencer vários obstáculos para alcançar o objetivo final: ficar longe dos zumbis.

Alice no País do Espelho, também numa rapidez sequencial, passa por diversas casas até conseguir tornar-se rainha, encontrando pelo caminho diversos animais que falam, que lutam, uma prosopopeia literária, tal qual em Resident Evil, onde os monstros foram criados no mundo apocalíptico, no mundo das “desmaravilhas”.

Não se pode esquecer que as duas rainhas do livro são mencionadas no filme, através da versão computadorizada. A rainha branca aparece no terceiro filme e ajuda Alice a achar o caminho esperado. Já a rainha vermelha, vista anteriormente, mas que reaparece no quinto filme, cria diversas situações para que a protagonista seja eliminada.

“Cortem a cabeça!” é a máxima citada a todo o momento pela rainha vermelha e, como se mata um zumbi? Através da cabeça. Há também que se notar que assim como as cartas do baralho que são soldados no livro, são todas iguais, o Projeto Alice também aparece em clones com o mesmo objetivo das cartas: lutar.

Entre uma linguagem e outra, é importante ressaltar para os jovens essa assimilação entre elas e, automaticamente, aguçar a leitura das obras literárias, para fins de discussões das abordagens, das visões criadas a partir da obra matriz. Dessa forma, o jovem traz em sua bagagem Resident Evil, mas, parafraseando (e adaptando) uma fala do filme Os Mercenários: nada melhor que o clássico.

 

Colunista Fabiany Taylor 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *