Axioma da Literatura

Axioma da Literatura

Ah, a leitura! Capaz de nos fazer viajar pelo mundo (todos eles), de exorcizar nossos demônios, de ampliar nosso conhecimento, de nos fazer companhia quando nos sentimos sozinhos, mesmo estando rodeados de pessoas. Às vezes, ela nos torna antissociais, mas quem precisa de vida social quando se tem um bom livro? Quantas vezes deixamos de estar em algum lugar para ficarmos deitados acompanhando a trajetória de Harry em seu objetivo de derrotar o Lorde das Trevas? Ou então, quando estamos no aniversário de uma prima, mas nossa mente insiste em repassar toda hora aquele último capítulo que lemos antes de sair de casa em que o Sr. Darcy finalmente se declara para Elizabeth Bennet? É tão emocionante, precisamos saber o que vem depois.

São momentos assim, marcantes na literatura, que fazem com que amemos tanto o que pra muita gente é apenas um monte de papel, mas que para nós é um porto seguro, o lugar para o qual podemos correr quando tudo vai mal e até mesmo quando tudo vai muito bem. Porque livros não são apenas nossa fonte de consolo, são tão parte de nós que os temos presentes tanto para rir quanto para chorar. Essa é a mágica da coisa!

Não consigo me lembrar de um único momento da minha vida em que os livros não estivessem presentes. Passei toda a minha adolescência tendo a leitura como refúgio para tudo o que me chateava. Me lembro de ler “Coração de Tinta”, “Orgulho e Preconceito” e “Romeu e Julieta”. Depois disso, me tornei uma adulta que lê o tempo todo.

Aí você me pergunta: “Tá, porque é que você está me contando isso mesmo?”. Tudo bem, eu já vou explicar.

Existem coisas que são inerentes à vida de todo leitor. Todos nós nos lembramos da morte de um personagem que nos marcou muito, de um livro engraçado que nos fez rir até a barriga doer, um livro que nos trouxe muitos ensinamentos e, com certeza, todos nós nos lembramos do primeiro livro que lemos. Certo?

Errado!

Eu não consigo me lembrar qual foi o livro que me ganhou para o mundo da leitura! Como alguém que passou toda a vida lendo pode não se lembrar de uma coisa dessa? Isso me angustia tanto! Eu forço minha mente várias vezes para ver se consigo algo e nada acontece! Me lembro de detalhes da capa, mas não lembro o título! Já recorri ao Google e nem isso resolveu! É frustrante!

Preciso saber que não sou a única! Sabe quando você chega atrasado na escola e fica com medo de ser repreendido, mas aí olha pro lado e seu amigo está atrasado também e você se sente aliviado porque não vai levar bronca sozinho? Pois então, preciso que sejam meus amigos atrasados.

Quantos de vocês que agora me leem também não se lembram do primeiro livro que leu? Podem me contar?

Pensei em fazer desse aqui o nosso espaço, nossa Sociedade Literária onde podemos falar sobre nossas angústias como leitores, nos revoltar sobre o final de uma saga ou morte de um personagem. Embarcam nessa comigo? Juro pela Varinha das Varinhas proteger os segredos e atender às vontades de vocês.

 

Colunista Franciele Rodrigues

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